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quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Nem só de praia vivia a Figueira!

“A Figueira não é apenas uma praia magnífica com condições climatéricas únicas, um areal assombroso de macieza e alvura sem rival, casulo de céu azul com gema de casario primoroso, arruados cómodos, ¡todo um conjunto que a torna a melhor estância de cura marítima que possa idealizar-se!
A Figueira é uma terra de turismo com diversões como raras.
Comecemos pelo seu imponente Casino – o melhor da Península.
Deixemo-nos de modernismos balofos e falsos.
Pode construir-se um prédio em ar de sofisma, com cimentos armados e recortes esdrúxulos.
No fundo – é fancaria!
A imponência do Casino da Figueira é que se não ultrapassa – nem sequer se atinge!
Propositadamente repetimos a palavra imponência.
Podem arranjar-se teatrinhos jeitosos no Parque Mayer – em Lisboa. Não se pode alcançar a imponência do Teatro Nacional.
É o mesmo que se dá com o Casino da Figueira.
Admitem-se facilmente nos casinozinhos das outras praias, o chinelo feminino e a camisola masculina.
¡No Salão Nobre do Casino da Figueira – o trajo de praia – não rima!
Destoa! Digam lá o que disserem. O Casino Peninsular – a-pesar-de tudo – obriga a uma determinada compostura e aprumo.
O Casino Peninsular – faculta aos seus associados e visitantes festas lustrosas e sem conto.
Tôdas as tardes e noites serve música, oferece a miúdos uma piscina bem cuidada, alegra a gente moça e velha com variedades magníficas e como apetecido requinte: - o baile!
O baile do Casino! ¡A espectativa que faz tremer papás e mamãs e arregalar pupila de puro gozo a tôda a menina casadoira!”

(In ‘Aspectos da Figueira da Foz’ – Maurício Pinto e Raimundo Neves, Edição da Comissão Municipal de Turismo, 1945)




Ao longo da pesquisa que temos efectuado sobre o Turismo nos anos 50 na nossa cidade, temo-nos deparado com a informação de que a praia era o chamariz da Figueira da Foz.
Porém, com este excerto que vos deixo, podemos consciencializarmo-nos de que nem só de praia vivia a Figueira; muitos eram os turistas atraídos pelo Casino da Figueira que na altura era o que estava mais na berra.

Joana

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

'Acessibilidades vanguardistas'




“¡ Nada mais fácil neste mundo do que vir à Figueira!
Cremos piamente que nenhuma terra portuguesa é tão simplesmente acessível – desde píncaros de Trás-os-Montes a doçuras do Algarve.
E vamos demonstrá-lo.
A Figueira da Foz – como já se salientou – é testa da linha dos Caminhos de Ferro da Beira Alta – que aqui tem os seus escritórios e Direcção.
Isto faculta-lhe a facilidade de transportes, desde raias de Espanha à beira de água.
Por o ramal de Alfarelos tem ligação com a linha Pôrto - Lisboa e, pela Amieira, com a linha de Oeste.
Quero dizer, do Norte ao Sul do país, de Leste a Oeste – a viagem por caminho de ferro está assegurada sem estorvos.
Servem a Figueira da Foz as Estradas Nacionais de 1ª classe nº 9-43 e 50.
Com a recente construção de uma ponte moderna sôbre o braço sul do Mondego, tornou-se não só muito mais agradável e económica, pois há a poupança de umas dezenas de quilómetros – o que é de considerar com a carestia de combustíveis – a viagem por estrada – Lisboa – Alenquer – Caldas – Leiria – Figueira – e por Mira até ao Pôrto.
Todas estas estradas que põem em comunicação a Figueira com o país – se encontram alcatroadas e em óptimo estado de conservação.
Pode pois visitar-se a Figueira, ou por Coimbra – esplêndido e formoso caminho seguindo o encantador vale do Mondego – pela estrada da Geria, ou Mira, ou ainda pela de Leiria.
Por mar, o pôrto – reservado infelizmente por ora a navios de regular cabotagem. Por via fluvial – pequenos barcos de carga, que descem o curso do Mondego (as barcas serranas). E pelo ar, o Campo de Aviação Humberto da Cruz que, logo que ampliado, constituirá a gare aérea do futuro.
A Figueira tem ainda carreiras de camionetas de Coimbra, por Aveiro, Mira, Cantanhede, Quiaios, Marinha das Ondas e Leiria.
Todas estas carreiras, principalmente a última, estabelecem ligações com o resto do país.
- Não se pode estar melhor servido de comunicações…”

(In ‘Aspectos da Figueira da Foz’ – Maurício Pinto e Raimundo Neves, Edição da Comissão Municipal de Turismo, 1945)


O que para a época era uma vanguarda, nos dias de hoje ‘sabe a pouco’… A Figueira da Foz foi-se desenvolvendo, necessitando de mais e melhores vias de comunicação. Recentemente, com a construção da A-17 e com a nova Ponte dos Arcos, a Figueira ganha essas desejadas acessibilidades…



Joana