A Figueira é uma terra de turismo com diversões como raras.
Comecemos pelo seu imponente Casino – o melhor da Península.
Deixemo-nos de modernismos balofos e falsos.
Pode construir-se um prédio em ar de sofisma, com cimentos armados e recortes esdrúxulos.
No fundo – é fancaria!
A imponência do Casino da Figueira é que se não ultrapassa – nem sequer se atinge!
Propositadamente repetimos a palavra imponência.
Podem arranjar-se teatrinhos jeitosos no Parque Mayer – em Lisboa. Não se pode alcançar a imponência do Teatro Nacional.
É o mesmo que se dá com o Casino da Figueira.
Admitem-se facilmente nos casinozinhos das outras praias, o chinelo feminino e a camisola masculina.
¡No Salão Nobre do Casino da Figueira – o trajo de praia – não rima!
Destoa! Digam lá o que disserem. O Casino Peninsular – a-pesar-de tudo – obriga a uma determinada compostura e aprumo.
O Casino Peninsular – faculta aos seus associados e visitantes festas lustrosas e sem conto.
Tôdas as tardes e noites serve música, oferece a miúdos uma piscina bem cuidada, alegra a gente moça e velha com variedades magníficas e como apetecido requinte: - o baile!
O baile do Casino! ¡A espectativa que faz tremer papás e mamãs e arregalar pupila de puro gozo a tôda a menina casadoira!”
(In ‘Aspectos da Figueira da Foz’ – Maurício Pinto e Raimundo Neves, Edição da Comissão Municipal de Turismo, 1945)
Ao longo da pesquisa que temos efectuado sobre o Turismo nos anos 50 na nossa cidade, temo-nos deparado com a informação de que a praia era o chamariz da Figueira da Foz.
Porém, com este excerto que vos deixo, podemos consciencializarmo-nos de que nem só de praia vivia a Figueira; muitos eram os turistas atraídos pelo Casino da Figueira que na altura era o que estava mais na berra.
Joana

